"Nas últimas décadas, vem se consolidando, na Educação Infantil, a concepção que vincula educar e cuidar, entendendo o cuidado como algo indissociável do processo educativo. Nesse contexto, as creches e pré-escolas, ao acolher as vivências e os conhecimentos construídos pelas crianças no ambiente da família e no contexto de sua comunidade, e articulá-los em suas propostas pedagógicas, têm o objetivo de ampliar o universo de experiências, conhecimentos e habilidades dessas crianças, diversificando e consolidando novas aprendizagens, atuando de maneira complementar à educação familiar – especialmente quando se trata da educação dos bebês e das crianças bem pequenas, que envolve aprendizagens muito próximas aos dois contextos (familiar e escolar), como a socialização, a autonomia e a comunicação. Nessa direção, e para potencializar as aprendizagens e o desenvolvimento das crianças, a prática do diálogo e o compartilhamento de responsabilidades entre a instituição de Educação Infantil e a família são essenciais. Além disso, a instituição precisa conhecer e trabalhar com as culturas plurais, dialogando com a riqueza/diversidade cultural das famílias e da comunidade." (BNCC, 2018, p. 36)

Podcast

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Palavras mágicas encantando a vida

Proporcionar às crianças a oportunidade de participação em atividades diárias que despertem a amizade, a solidariedade, o amor e a união, fortalecendo os vínculos afetivos entre os envolvidos.

Quando:

Sem período específico.

Materiais:

Computador com acesso à internet.

Habilidades trabalhadas:

EI03EO07; EI03EO05; EI03CG01; EI03EO04; EI03EO01; EI03EF01; EI03EF04;

Professor(a) responsável:

Lilian Magione de Souza.

Escola:

CMEI Odila Simões, Vitória (ES).

O que é:

Este projeto surgiu do desejo de possibilitar às crianças meios para maior socialização. Para tanto, utilizamos as "palavras mágicas" e atitudes afetivas, de modo a transformar em convivência harmoniosa e saudável ações agressivas e egocêntricas que tanto causavam desconforto à turma.

Convivendo com as crianças do Grupo 5 (faixa etária entre quatro e cinco anos), percebi o quanto é difícil para elas cumprirem os combinados de convivência e compartilharem brinquedos e outros objetos.

Algumas crianças não conseguem harmonizar seu ponto de vista com o de colegas. Precisam ainda entender o que é delas, o que é do outro e o que é de todos. 

Segundo Jean Piaget, essas atitudes egocêntricas são naturais, especialmente nessa faixa etária, pois as crianças não são capazes de entender e perceber que as outras pessoas têm interesses, crenças e vontades diferentes das delas.

Na sala de aula, há situações e conflitos que precisam ser trabalhados de forma mais eficaz. É fundamental buscarmos novos caminhos que levem a família, a escola e a comunidade a assumirem seu verdadeiro papel no processo.

Como fazer:

Iniciei o diagnóstico de aprendizagem por meio das rodas de conversas e das atividades de escrita e desenho. Realizei também vários encontros com as famílias para saber um pouco mais sobre a história de cada criança.

O potencial da turma estava em sua predisposição para construir novos conhecimentos. Da mesma forma, havia maturidade na oralidade e percepção sobre a importância do bem comum.

Mais adiante, numa nova roda de conversa, surgiu o seguinte questionamento: “Como eram as crianças antigamente?” “Elas usavam as 'palavras mágicas'?”.

Sugeri, então, que visitássemos uma idosa da comunidade para conversarmos sobre o assunto. Fomos até a residência da vovó Anita. Esse foi mais um momento marcante para a turma.

Elaboramos previamente algumas perguntas para ela sobre como era vida uns 70 anos atrás. Mais uma vez, percebi o interesse de todos pela atividade proposta. Concentraram-se nas perguntas e, na visita, mantiveram-se bastante atentos às respostas da idosa. No meio da conversa, uma das crianças pediu a palavra e disse à vovó Anita: “Você é uma princesa!”.

Na visita, cantamos, demos abraços, fizemos apresentações e ouvimos o relato da vovó Anita. Quantos conhecimentos as crianças adquiriram naquele encontro!

Essa foi uma atividade extremamente produtiva! Saímos dos muros da escola e pudemos comparar a diferença da vida de hoje com a de “ontem”, por meio de uma atividade simples e prazerosa.

A visita também evidenciou os diferentes níveis de desenvolvimento e aprendizagem das crianças. Essa informação se mostrou importante para que as novas atividades levassem em consideração o potencial de cada aluno.

O uso das "palavras mágicas" se tornou constante em nossa rotina, por possibilitarem uma reflexão sobre a importância de agirmos de forma afetiva uns com os outros, dando o nosso melhor.

O projeto contribuiu para que as crianças vivenciassem atividades prazerosas e significativas, importantes como estímulo à mudança de comportamento. Com a evolução do trabalho, as crianças se tornaram capazes de dividir espaços e objetos, ouvir o outro, esperar a vez, usar palavras cordiais e demonstrar atitudes de afeto.

Em nossas experiências, ouvimos muito também sobre diferenças de vida na roça e na cidade. Fiz, inclusive, um recorte no trabalho, para que trabalhássemos o passado e o presente, a vida na roça e na cidade e, principalmente, a vida no morro, que é a realidade das nossas crianças. Para isso, apresentei algumas obras do artista plástico carioca Heitor dos Prazeres, cujas obras trazem cenas da vida no morro. 

Destaques da experiência

Houve participação intensa dos pais em quatro momentos: duas reuniões sobre o desenvolvimento das crianças e duas atividades com as crianças na sala de aula, vivenciando ações do projeto. O retorno das atividades enviadas para casa também foi satisfatório.

Quando conseguimos mostrar às famílias os nossos objetivos e o que queríamos com o trabalho pedagógico, conquistamos sua confiança e estabelecemos um clima favorável e de parceria.