"A BNCC do Ensino Fundamental – Anos Iniciais, ao valorizar as situações lúdicas de aprendizagem, aponta para a necessária articulação com as experiências vivenciadas na Educação Infantil. Tal articulação precisa prever tanto a progressiva sistematização dessas experiências quanto o desenvolvimento, pelos alunos, de novas formas de relação com o mundo, novas possibilidades de ler e formular hipóteses sobre os fenômenos, de testá-las, de refutá-las, de elaborar conclusões, em uma atitude ativa na construção de conhecimentos. Nesse período da vida, as crianças estão vivendo mudanças importantes em seu processo de desenvolvimento que repercutem em suas relações consigo mesmas, com os outros e com o mundo." (BNCC, 2018, p. 58)

Podcast

Ouça o podcast sobre os Anos Iniciais do Ensino Fundamental.


O que vejo por onde passo?

Área(s): Ciências Humanas.

Esta prática teve com oobjetivo fazer com os alunos compreendessem tópicos como percurso percorrido, deslocamento, localização e meios de transporte por meio de experiências vividas no trajeto entre suas casas e a escola.

Componente(s): Geografia.
Quando: Em qualquer momento do ano.
Materiais:
  • mapas;
  • brinquedos (carrinhos em miniatura);
  • câmera fotográfica.
Habilidades trabalhadas: EF01CI05; EF01GE01; EF01GE02; EF01GE08; EF01GE09; EF02GE03; EF02GE08; EF02GE09; EF02GE10.
Escola: Escola Classe 17 de Taguatinga (DF).
Professor(a) responsável: Ivanilce Galvão Borges.

O que é:

Denominado “O que vejo por onde passo?”, nosso projeto visou fomentar nos alunos um aprendizado a respeito das experiências vividas no percurso entre suas casas e a escola, o que incluiu, por exemplo, informações sobre localização e meios de transporte.

Nessa perspectiva, com base na diversidade de conhecimentos, selecionei estratégias e busquei a parceria das famílias.

Como fazer:

A primeira proposta foi levar os alunos ao parquinho. Lá, disponibilizei miniaturas de carrinhos, dentre outros brinquedos, que possibilitassem o trabalho coletivo de "construção" do trajeto de casa até a escola. A tarefa foi registrada por fotos, utilizadas posteriormente num cartaz.

Pedi aos alunos, como tarefa de casa, que olhassem atentamente o trajeto até a escola e que relatassem a experiência aos pais. A ideia era que organizassem uma "planta baixa" do trajeto, nomeando os lugares por onde passavam diariamente.

Para isso, levei para a sala de aula o mapa do Distrito Federal. Expliquei onde estavam situadas a escola e as demais cidades onde as crianças moravam. Mostrei, no celular, um aplicativo de localização geográfica. Simulamos o percurso da minha casa até a escola no mapa do aplicativo.

No laboratório de informática, os alunos observaram, com a minha supervisão, os mapas de Taguatinga, Águas Claras, Samambaia e Vicente Pires, regiões administrativas onde residiam.

Listamos no quadro os nomes de algumas localidades doo percurso.

Colocamos esses nomes em ordem alfabética, ressaltando as letras iniciais e finais e a quantidade de sílabas e letras contidas nas palavras

Iniciamos um processo de aprendizagem sobre gráficos, indicando a quantidade de alunos residentes nas regiões destacadas.

Reuni as ideias e fiz uma "cascata" de palavras, relacionando-as ao percurso e à localização. Em seguida, partimos para a produção de um texto coletivo.

Os alunos transcreveram o pequeno texto em seus cadernos e ilustraram cada etapa.

Conversamos sobre horários – de acordar para ir à escola, de entrada e de saída. Falamos ainda sobre o calendário e dias da semana, enfatizando a diferença entre hoje, ontem e amanhã.

Agendei uma visita ao Espaço Cultural do Tribunal de Contas da União (TCU), onde visitamos uma exposição sobre o arquiteto Oscar Niemeyer. Além de verem imagens de suas obras, os alunos apreciaram alguns croquis de mapas sobre a construção de Brasília. Ali, mais uma vez, demonstrei que os mapas facilitam a localização das pessoas quando procuram por ruas, cidades e lugares.

Nessa abordagem de trabalho, a avaliação da aprendizagem dos estudantes ocorreu de forma contínua e progressiva. No projeto, avaliei os alunos com base em critérios como observação, participação, interesse e empenho nas atividades práticas. Avaliei ainda os desenhos dos percursos e a atuação na produção de texto coletivo

Trabalhar com projetos é gratificante, apesar de ser trabalhoso, por causa dos resultados infinitamente satisfatórios. Para o professor é o ápice da sua realização profissional.

Com dedicação, persistência, firmeza e muito amor, essa experiência pode ser vivida por professores de outras escolas. Não vejo qualquer empecilho para sua execução.